domingo, 24 de fevereiro de 2008

Artigo



Crianças e jovens na era digital


Foi-se o tempo em que as crianças brincavam de amarelinha, pega-pega, esconde-esconde, e tantas brincadeiras que poderíamos elencar, mas estão esquecidas diante de tanta informação e avanço tecnológico, nos remetendo a um mundo bitolado em produtos eletrônicos.

O que deveria ser brincadeiras corpo-a-corpo, se transformaram em combates virtuais, onde a criança através da internet joga, em rede, com seu oponente do outro lado do país, e porque não dizer, do mundo. Jogo esse, que geralmente são de guerra ou de luta, aguçando ainda mais a ilusão e sentimento de poder e superioridade em um mundo virtual, que na frente da tela, é só seu.

Brincadeiras realizadas em praças e campinho de terra se transformam em passeios no shopping center e parque de diversões cada vez mais individualista, dificultando a interação com outras crianças.

Com a inserção digital de crianças e jovens, surgiu uma problemática: A dificuldade da relação presencial na conquista de novos amigos.

A internet chega com um novo atrativo, “chats” (salas de bate-papo), perfis e comunidades virtuais (orkut), “messenger” (msn) com direito vídeo, áudio e sala de conferencia, tudo em tempo real. Se forem possuidores de “laptop” (microcomputador portátil) a diversão se torna itinerante, podendo ser acessado de qualquer ponto que possua internet “wi-fi” (sinal grátis).

Os pequenos estão cada vez mais presentes na rede. De agosto de 2005 a agosto de 2007, o número de pessoas na web com idade entre 2 e 11 anos aumentou 77%, enquanto o crescimento geral da internet no País foi de 66%, de acordo com dados do Ibope/NetRatings.
"Com a popularização da banda larga, as crianças e as pessoas mais idosas entraram na rede porque ficou mais rápido e mais fácil de navegar", explica José Calazans, analista de mídia do Ibope. Entre as meninas, o porcentual é ainda maior: 84%, contra crescimento de 70% dos meninos no período. "Em qualquer cultura, os homens são os primeiros a adotar a tecnologia. Mas, entre as crianças, o sexo feminino já é maioria há dois anos", afirma.
Com o avanço das crianças na internet, cresce também o valor que elas dão à tecnologia. Uma pesquisa do Cartoon Network fez a seguinte pergunta para pessoas com idade entre 7 e 15 anos: "Ao que você dá mais valor em si mesmo?".
Cerca de 40% dos meninos responderam "ser bom com a tecnologia". Ainda segundo esse levantamento, o presente mais desejado para o Dia das Crianças são os toca-MP3/MP4 e os iPods, seguidos de dinheiro e depois de videogames. Ricardo Portela, gerente de marketing do Shopping Ibirapuera, confirma a tendência. "A procura por esse tipo de produto cresceu 12% de 2006 para 2007 na época do Dia das Crianças."

Enumeramos algumas sugestões de especialistas para que essa tarefa de conscientização por parte dos pais possa ser a mais tranqüila possível.
1 – Incentive o seu filho a compartilhar as suas experiências na Net. Use-a com ele de vez em quando, e coloque o PC numa área de fácil circulação, para que possa ser discretamente monitorado;
2 – Ensine-o a confiar nos seus instintos. Se algo o perturbar de alguma maneira eles devem contar-lhe imediatamente;
3 – Se ele visita salas de chat, usa o messenger, jogos ou outras atividades on-line que necessite de nome e endereço de e-mail, ajude-o a escolher um sem qualquer informação pessoal;
4 – Oriente-o para nunca dar o seu endereço residencial, número de telefone ou outras informações pessoais como escolas ou locais que freqüenta;
5 – Ensine-o que a diferença entre o certo e o errado na Net, é a mesma coisa que na vida real;
6 – Ensine-o que as noções de respeito e educação, são as mesmas que na vida real; 7 – Avise-o que nunca deve encontrar-se com amigos virtuais pessoalmente. Explique que eles – os amigos virtuais – podem não ser o que afirmam ser;
8 - Ensine-lhe que nem tudo o que lê ou vê on-line é verdade. Estimule-o a fazer perguntas se tiver dúvidas;
9 – Estabeleça regras tais como, horário e tempo especifico para o uso do PC e da Net, para que o seu uso indiscriminado não venha comprometer as suas atividades de estudo, leitura, esporte, lazer e diversão com os amigos;
10 – Controle as atividades on-line do seu filho, programando o PC para não permitir o acesso a sites de conteúdo pornográfico ou violento, ou use softwares específicos para o caso.

Segundo especialistas, esse controle é importante, especialmente para as crianças. "Até os 11 anos, a pessoa não é neurologicamente madura o suficiente para saber quando está exagerando. Os pais devem impor esse limite para que, futuramente, a criança aprenda a colocar esse limite sozinha", afirma Andrea Jotta Nolf, psicóloga do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP.

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